[Terça-feira, Maio 26, 2009]
A praga da conjuntivite
Vez por outra, Recife se vê cercada por uma epidemia de conjuntivite. É aquela doença chata que dá nos olhos, deixa-os avermelhados, coçando, irritados e remelando. Na grande maioria das vezes ela chega ao final do período do reinado de Momo. Depois do carnaval, a procura por colírios nas farmácias cresce bastante.
Porém, desta vez, a cidade se viu em volta de uma praga de conjuntivite pré-São João. Em um período pouco usual para a doença. Mas ela chegou com uma força enorme e assolando nos quatro cantos da nossa capital. Para se ter uma idéia, ontem (segunda-25), a urgência de um hospital de olhos particular perto daqui da nossa residência registrou 350 atendimentos em um único dia.
Aqui em casa ninguém escapou. Primeiro foi Simone, a babá de Igor. Quando ela chegou e vi o estado dos seus olhos, era uma sexta-feira, mandei voltar para casa. Ficou nove dias sem vir trabalhar. Quando voltou não demorou muito para eu cair. Foi na última sexta-feira e sigo de molho até hoje (terça-feira – 26), pelo menos é o que espero. Ontem foi a vez de Rapha acordar com uma remela enorme no olho direito e, em seguida, o vermelhão tomar conta.
E Igor? Bom, nosso pequeno vem passando ileso pelo menos. Todos os cuidados estão sendo tomados em relação a ele. Colírio, específico, de seis em seis horas. Levamos no medico que constatou uma leve, quase insignificante, conjuntivite. Tanto que os seus olhos nem vermelhos ficaram. E Igor nem reclama mais do colírio que arde um pouco quando se coloca. Deita abre o olhinho esperando o pingo. Depois fecha e espera alguns segundos para reabrir sem doer. Já pegou a manha.
Mas é uma doença muito chata. Eu fiquei isolado dentro do quarto um final de semana inteiro para não ter contato algum com Igor. Agora é Rapha que está proibida de andar pela casa e tocar em maçanetas, controle remoto ou algo em comum da residência. Igor é que não está gostando muito disso. Afinal, o pequeno é muito grudado na gente. Vive dando e recebendo beijos e carinhos. Mas passa logo...
por JOSE GUSTAVO SILVA * 10:47
[Terça-feira, Maio 19, 2009]
Deus te abençoe Igor
Hoje recebemos a avaliação pedagógica trimestral de Igor em sua nova escola. Satisfeitíssimos estamos – eu e Rapha – pela escolha. Mas, sempre fica aquela dúvida de como os outros, no caso as professoras, vêem o nosso filho. E não é que o pequeno acaba se superando. Aí alguém vai dizer: ah, mas é opinião de pais corujas! E é também. Mas no caso de Igor existem alguns diferenciais. Não que ele seja o melhor da turma, o mais inteligente e dedicado. Igor se destaca, também, além de mostrar essas virtudes já citadas, ele se destaca pelos valores.
E isso enche qualquer pai de orgulho. É claro que a educação que damos para ele não é a melhor do mundo. Existem imperfeições. Afinal somos humanos e ele também. Mas, eu e Rapha, nos esforçamos demais para dar alguns valores que servem de referência para toda a vida do nosso pequeno. Valores que, assimilados logo cedo, se incorporam a personalidade de forma normal e que farão dele um adulto mais compreensivo com as adversidades do mundo. Algumas até que ele pode vivenciar até na infância ainda.
O crescimento motor, de linguagem, escrita e intelectual dele é visível. Mas é trato com as pessoas parece ser mesmo o diferencial. A maneira como se relaciona com o grupo, com os amiguinhos (as), o respeito à individualidade de cada um, dito pelas professoras, “contagia o grupo”.
Isso dá certo alívio. Não é fácil educar um filho. Não é fácil passar valores fortes e corretos. Acho que eu e Rapha estamos no caminho certo com Igor. Por mais que, às vezes, tenhamos conflitos internos em casa – normal em qualquer casal -, mas a referência familiar ele sempre terá.
Que você continue assim filho. Com esse jeito lindo e sincero de ser. E cresça repleto de sabedoria para ser um adulto melhor do que seus pais e criar seus filhos ainda melhor do que nós estamos lhe criado. Deus de abençoe, Igor.
por JOSE GUSTAVO SILVA * 21:32
[Domingo, Maio 10, 2009]
Quem ama mais do que a gente
Igor (terceiro da fila) atrás do amiguinho Paulinho Felipe
Essa será a primeira vez que abro espaço aqui no blog para alguém que não seja eu ou Rapha escrever. Mas é por uma boa causa. Poucas vezes li um texto que me emocionou tanto. Acho que vai ser uma leitura interessante para Igor quando ele estiver um pouco maior. Vai perceber que, como ele, existem várias outras crianças tão apaixonadas quanto. Nem mais nem menos. Afinal todas são tricololores. Aline Moura, a autora do texto, trabalha comigo na redação do jornal. É uma figura gente boa demais... vocês vão perceber pela maneira como ela escreve.
segue o texto que Aline publicou no Blog do Santinha e que eu, com autorização dela, repasso aqui. Vale ressaltar que Igor entrou de mascote neste jogo com o Vasco.
Conheci Caio César sábado passado, no Arruda, quando o céu inteiro chorava e quase dez mil tricolores foram ao estádio ver um amistoso. Foi amor à primeira vista. Ele estava na minha frente, num degrau abaixo do meu, vestindo uma capa de chuva imensa, quase o dobro do tamanho dele. Fiquei encantada com aquela cena. Aos 8 anos, Caio poderia estar em casa, sequinho, assistindo ao jogo contra o Vasco na televisão, ou até mesmo viajando na internet, como é costume da nova geração. Mas não. O menino estava bem ali, no frio, presenciando a pior fase do Santinha sem o menor traço de pessimismo. Tinha aquela esperança que só coração de criança carrega.
Juro que senti um pouco de inveja. Na idade de Caio, eu brincava de princesa, de boneca, de escondeesconde… Nem sabia o que era futebol. Foi ai que comecei a olhar as crianças à minha volta, cada uma mais envolvida que a outra, como se aquele jogo valesse uma vida. Eram garotas e garotos. Caio estava entre eles, tenso e concentrado. E eu também. Só pensava nos meninos e meninas que torcem pelo Santa nos dias de hoje. Crianças que resistem à propaganda massacrante da TV e dos jornais a favor da “coisa”, que ignoram as brincadeiras dos amigos na escola numa fase que só é favorável à “imitação”. São como pipas com cerol. Vencem todos os adversários.
Não sou mãe, nem sei se vou ser um dia. Mas o meu lado materno estava aflorado no último sábado. Quem eram essas crianças afinal? Minha mainha Santana, que é santacruzence, psicopedagoga e psicóloga explica que crianças corais são “resilientes”. Esse nome estrambólico, na Psicologia, retrata pessoas que possuem o dom da resistência, o que não é comum à maioria. São crianças com capacidade de combater, de enfrentar os obstáculos, de se manter íntegras à sua identidade independentemente do que o meio tenta lhe impor. São como crianças que nascem na favela, por exemplo, mas vencem na vida, apesar do apelo das drogas e da violência.
Tudo muito bonito, no olhar da Psicologia, mas eu queria confirmar a tese com Caio. Não sabia que iria receber uma resposta tão invocada, como se estivesse fazendo a pergunta mais sem sentido do mundo.
- “E você, Caio, torce pelo Santa desde quando?” - “Desde sempre”, respondeu o menino, meio brabo. “Desde que nasci torço pelo Santinha. Não ligo quando meus amigos tiram onda de mim. Eu tiro onda deles também. O que eu mais gosto do Santa é o estádio e o amor da torcida”, afirmou, incentivando-me a buscar mais respostas.
Resolvi aprofundar a história e perguntar a outros meninos que estavam no amistoso, naquele feriadão, em baixo de chuva. Wesley Henrique, 12 anos, me chamou a atenção. Estava com frio, porém falava mais que o homem da cobra. Estava atrás de mim, com a avó Aldecir Gomes, 55 anos, sua companheira de campo desde que tinha 6 anos. Wesley estava molhado. Disse que não perde um jogo, sabe o nome dos jogadores e sabe explicar o que até hoje não entendo: esquema de jogo. “Eu gosto do Santa porque é um time que está na última divisão e não perde a raça, joga com vontade de ganhar”, opinou, numa confiança que só Deus sabe. Lindo, deu vontade de dar um monte de cheiro.
Para não haver dúvidas sobre essa desconhecida “resiliência”, conversei com outro menino. Afinal, essa é a futura geração do Santinha, aquela que vai nos substituir. E eu queria saber como as crianças corais reagirão nessa longa jornada, com três anos pela frente de batalha no inferno. A resposta de Brennus César, 11 anos, não poderia ter sido mais resiliente. “É difícil explicar, mas eu amo tudo do Santa. Só vi meu time ser campeão uma vez, em 2005. Os meninos do colégio ficam tirando onda, dizendo que o ex-porti está na Liberadores e a gente está na série D. Mas e daí? Futebol é fase. Eu amo muito meu time, não é por isso que vou deixar de torcer. Quem ama mais do que a gente?”, perguntou Brennus. É claro, respondi.
Satisfeita, completa, resiliente. As crianças do Santa são melhores do que contos de fadas.
por JOSE GUSTAVO SILVA * 23:38