Igor Aguaçã



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[Quinta-feira, Dezembro 04, 2008]

Mudanças

Depois de muita conversa decidimos mudar Igor de escola. Não está sendo fácil porque já são três anos convivendo num espaço pequeno, aconchegante, com amigos do maternal, com professoras e porteiros chamando Igor pelo nome. Mas, definitivamente, chegou a hora da mudança. Apesar de Igor adorar a escolinha dele, muitas vezes durante esse ano ele se sentiu meio que desmotivado no movimento de ir à escola. Sabe aquele perrengue de “lá não tem espaço pra jogar bola, mamãe”. Essa é o tipo de ladainha matinal que nós ouvimos várias vezes. E realmente, a escola é bem pequenina. Seria mais um ano numa unidade sem quadra pra jogar bola, a principal reclamação de Igor.

Aí os pais começaram o percurso pelos colégios da cidade. Lá em frente de casa tem uma escola bem bacana, com um espaço que é tipo quintal de vó. Uma proposta sócio-construtivista, uma turma por série do maternal ao ensino médio. Guga achou a proposta esportiva capenga. Eu achei a dona da escola uma maluca de pedra e um papo cabeça demais. Aborta a missão, apesar de ser na frente lá de casa e ter tido uma irmã que estudou lá e adorou a escola.

Sabendo que Igor irá migrar, a mãe de um dos melhores amigos dele me ligou e perguntou se eu conhecia um colégio tradicional aqui da cidade. Eu disse que não, que achava meio “tirano” e “elitista” pelas coisas que ouvi no passado. Mas procurei me informar melhor, e minha irmã que é diretora pedagógica de uma escola deu as melhores referências da educação oferecida nesse colégio tradicional. Também tenho duas amigas com filhos lá que adoram a proposta pedagógica, o calendário festivo, a referência religiosa. Pra completar, a proposta esportiva é muito bacana.

Resolvemos fazer uma vivência com o Igor lá. Quando chegamos ao colégio e ele viu aquele pátio enorme, saiu com um “tem campo de futebol aqui!!!”. Pois é, foi amor à primeira vista. Se deslumbrou com as quadras esportivas, com a área onde vai estudar que é totalmente reservada do restante da escola, mas que possui quadra, campinho, sala de artes, parque com brinquedos. Eles também usam biblioteca, laboratório de informática e o restante do espaço da escola acompanhados. Sem falar na cantina. Como ele gostou. Achou o máximo pedir o lanche no balcão da lanchonete – é claro que no dia-a-dia a cantina itinerante vai até a área deles.

Enfim, é com o coração na mão que vamos fazer essa mudança. A gente escolheu com a idéia de ser uma escola pra vida toda. Sabemos que existe uma tendência de escolher esse padrão de escola menor, com uma proposta pedagógica mais aberta. Mas nós achamos que o perfil de Igor é outro. Ele é daqueles que curte esportes pra caramba, gosta de espaço, adora gente. E eu senti um astral bacana, de uma escola que tem vida até nos finais de semana (quando fomos estava tendo um campeonato de natação lá). A proposta pedagógica também é ótima. Sei que ele vai enfrentar regras e limites porque colégio religioso tem muito disso (estudei a vida toda no Colégio de São Bento), mas Igor não tem dificuldade porque é um menino obediente em sala de aula, interessado, certinho. Tudo dito pela professora da escola. A adaptação não será difícil.

Sobre ser uma escola grande e ele se tornar mais um... com essa mãe pentelha e esse pai tão participativo nas vivências escolares do filho, acho bem difícil.


por RAPHAELA PIMENTEL * 11:54

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