[Sábado, Junho 05, 2010]
Isso é que é maturidade
Bom, um turbilhão de coisas já aconteceu nestes últimos quatro meses e meio. Situações boas e outras nem tanto. Momentos de pura alegria e outros de extrema tristeza. Mas, em todos eles, o mais incrível é a maturidade que Igor demonstra. Nem parece um garoto de seis anos. Está cada dia mais lindo e inteligente. Vem passando por um momento de quizilas na saúde, mas nada que tire o sono dele ou que seja mais preocupante.
Agora, neste exato momento, estou com ele bem pertinho. Dormindo a pouco mais de um metro de mim. Em uma cama de solteiro – minha antiga cama – onde daqui a pouco irei deitar ao seu lado. E olhando Igor, desta maneira, reflito: “Nossa, eu e Rapha demos uma educação muito boa para esse garoto”. Falo isso com o maior orgulho do mundo. Ele é um menino educado, atencioso, carinhoso. Divide o seu amor muito bem entre o pai e a mãe. Curte os dois juntos e separados. Não dá mais a um nem menos ou outro.
Nesta atual fase vem mostrando uma maturidade realmente fantástica. Bem maior do que a minha, por exemplo. É claro que não é uma coisa normal para ele. Mas, administra com uma perfeição de quem já tem anos e anos de estrada. Igor sabe o espaço que tem e sabe dar o espaço para cada um.
Olho, abestalhado, ele em um sono profundo e inocente. Vou deitar ao seu lado. Ficar no cantinho da cama, quase caindo mesmo, só para dar mais espaço para ele dormir tranquilo e não se sentir apertado. O meu pequeno é espaçoso por natureza quando está dormindo. Mas faço isso com uma satisfação impar. Afinal voltar a dormir com ele do lado não tem preço. Poderia ser melhor, sim... Mas aí só o tempo vai dizer. Te amo meu filho! E, olha, “papai taqui filho, papai taqui”.
por JOSE GUSTAVO SILVA * 23:15
[Sábado, Janeiro 23, 2010]
Coloando os assuntos em dia
Eu já prometi diversas vezes que não iria acumular novidades. E aqui estou eu dois meses depois postando novamente. A correria é grande e todos sabem disso. Rapha, então, coitada, está como louco cuidando do carnaval de Olinda que, por sinal, já começou desde a virada do ano. Pois bem vamos por parte para colocar as notícias sobre o crescimento de Igor.
Escola
Nosso pequeno, mais uma vez, nos encheu de orgulho. Teve um desempenho formidável na escola. Hoje, já lê tudo. E esta evolução foi à coisa mais significativa deste ano. Igor entra no carro e no caminho, seja para onde for, vai lendo todas as placas publicitárias que encontra pelo caminho. Suas professoras também elogiaram bastante a maneira como ele se envolve nas tarefas do dia-a-dia escolar e sua liderança na turma. Passou a ser um pouco mais bagunceiro. Fato que deixou a gente um mais aliviado também. Igor é muito caxias. Gosta de regras. E foi interessante escutar a professora dizer que, em muitas vezes, deixava ele fazer uma ou outra coisa mais fora do normal só para dar algumas reclamações...
Futsal
A temporada 2009 encerrou-se também com muita evolução. O time Sub-7 do Santinha não sagrou-se campeão. Mas foi um vitorioso em sua meta. Igor chegou a usar a braçadeira de capitão em um dos jogos da Copa Verão. Todo orgulhoso. A garotada deu passos significativos e 2010 promete. Infelizmente uma parte do grupo será desfeito. É que os meninos – os maiores amigos de Igor – estouraram idade, ou seja, irão fazer 8 anos este ano. Assim passam a jogar em outra categoria: Sub-9B. Igor que era do Sub-7B, agora foi promovido a Sub-7A. Mas, nem tudo pode ser flores na vida. A escola, este ano será no período da tarde. E como serão os treinos se ele estará estudando. Bom eu, mais uma vez, estou fazendo das tripas coração para não tira-lo do Futsal do Santa. A galera do Sub9-B já convidou ele para treinar em um horário alternativo. Agora é achar uma quadra... se Deus quiser, tudo vai dar certo.
Aniversário 1
A comemoração dos seis anos de Igor foi bem mais cedo. Em 19 de dezembro nós reunimos os amigos do prédio, do futsal, escola, além dos primos e fizemos à festa. O pequeno adorou. Não adorou é pouco. Amou. Os aniversários dele são fantásticos. Todos adoram e Igor mais ainda. Rapha tb sai muito satisfeita e eu pra lá... porque cerveja sobrou até para o ano novo. Este ano o tema foi Rock´n´roll e o convite teve a foto dos Jonas Brother´s, banda preferida dele.
Aniversário 2
Mas, como de praxe, Igor já se acostumou em almoçar no dia 24 de dezembro em uma churrascaria da cidade. E não é que no dia ele acordou e quando soube que iríamos almoçar fora foi logo dizendo: “Eu quero ir para o restaurante do boi na frente”. Não fomos neste dia, mas no seguinte sim... lá estávamos eu, Rapha e ele no tal do restaurante do “boi na frente”. Só para explicar melhor é que no tal restaurante tem uma estátua de um boi, em tamanho real, na frente do estabelecimento. A comemoração teve direito a churrasco, bolo e parabéns dos garçons.
Ano Novo
Ah, foi bem legal mesmo. Fomos para a casa de um amigo nosso. Todos de branco. Uma curtição bem massa. Igor adorou. Músicas, bola, diversão, pula-pula. E manteve-se acordado até às 2h. E olha que não dormiu à tarde apesar das nossas insistências. Segurou firme, fez contagem regressiva, viu os fogos, gritou 2010... como é legal estar em família.
Férias
Nossa chega a dar inveja. O que ele está aproveitando. Meu Deus do céu. Primeiro foi com os primos. Os quatro deixaram Brasília e vieram para Recife: Dante, Luiz, Pedro e João. Sem falar nos tios e nas tias. Todo mundo aqui. Uma felicidade só. Foi banho de piscina, praia, jogo de futebol, PS2, bagunça no quarto e tudo que tinha direito. Quando os primos foram embora, Igor não ficou só. Entrou a galera do Santa e esta semana Jorginho, que veio passar um período aqui em casa. Acabei de colocar os dois para dormir. Parecem irmãos os dois pequenos.
por JOSE GUSTAVO SILVA * 00:16
[Quinta-feira, Novembro 26, 2009]
Já estamos com saudade
Nossa, já se passaram dois meses do último post no blog. Caramba como o tempo passa rápido. E Igor cresceu bastante neste tempo. Cresceu não, amadureceu! Recebemos rasgados elogios da coordenadora e da professora dela na escola. Orgulho demais, porém, esse é tema de outro post que Rapha vai escrever. Por sinal é dela que venho falar aqui.
Raphaela viajou hoje, pela manhã, para São Paulo. Está na “Terra da Garoa” para assistir ao show do AC/DC. Evento que, por sinal, ela planejou bastante para estar presente. Mais do que merecido. Mas amanheceu o dia um tanto saudosa. Iria deixar os dois amores para trás. Agarrou e beijou Igor o máximo que pode antes dele ir para escola. Prometeu trazer um skate para nosso pequeno. Pedido do próprio Igor.
E vou atiçar um pouco mais a saudade dela agora. Acabei de colocar meu pequeno na cama para dormir. Depois de rezar o Pai Nosso e de dar o "boa noite, durma com Deus", quando pensei que Igor estava já no primeiro sono e danado veio com essa: "Pai, hoje é que dia?"... respondi: "quinta-feira, filho". E ele começou a contar nos dedinhos: "falta sexta, sábado e domingoooooooo... três dias para minha mãe chegar né?" questionou. "É sim filho", concordei com ele acrescentando que não era muito tempo.
Depois de um pequeno período de silêncio, Igor veio com mais um pensamento lindo: "Pai, a gente vai brincar com Gogo´s que só não é? Vai ser massa. Mas sem mamãe não é tão legal né?" . – os bonecos miniaturas, que são seu mais novo vício.
Com o coração cheio de orgulho dele e sem nenhuma ponta de ciúme, pois ele sabe dividir bem o amor que sente pelo pai e pela mãe, concordei com Igor. "É filho. Mamãe faz muita falta e é chato sem ela mesmo". Ele me abraçou, colocou a perna em cima da minha e dormiu agarrado. Volta logo tá, Rapha. Teus dois amores já estão morrendo de saudade.
por JOSE GUSTAVO SILVA * 22:17
[Quarta-feira, Setembro 16, 2009]
A vida vem em ondas...
Nem só de futebol vive a família Aguaçã. A galera aqui ta numa secura pela praia! E pelas ondas também. Voltamos ao surfe dos finais de semana de sol e boas ondas de agosto e setembro. Como é boa essa energia... tava até esquecida... De resto, tudo bem por aqui. Menino crescendo, muito trabalho, altos e baixos. Aos poucos vou voltando a escrever e registrar o final dos 5 anos de Igor, que agora é um banguelo que já sabe ler.
Eu e Igor em Maracaípe.
Filho de bodyboarder, surfista é!
Mãe surfista e fora do shape kkkk!
por RAPHAELA PIMENTEL * 20:43
[Segunda-feira, Setembro 07, 2009]
Um novo atleta
Logo cedo, de novinho mesmo, Igor mostra algumas habilidades. Tem um excelente ouvido para música. Já postei várias vezes aqui falando disso. E, também, sempre mostrou muito interesse por esportes. Não poderia ser diferente. A mãe foi surfista e, por incrível que pareça, ta voltando ao mar novamente. O pai jogou basquete muitos anos, nadou e é um apaixonado por futebol e tudo que é esportes.
Procuramos, inclusive, uma escola onde Esportes fosse bem presente no dia-a-dia dos alunos. Encontramos um colégio maravilhoso para isso. Porém este post vai além. Retrata um desejo antigo meu e que Igor está realizando. Como atleta de basquete nunca teve a oportunidade de jogar defendendo as cores do meu clube: Santa Cruz. Hoje, Igor, tem essa sorte. Nosso garoto faz parte do time Sub-7 de Futsal do Santa Cruz Futebol Clube. Orgulho para o pai e para a mãe.
Mas nada de pressão no garoto. Claro! Afinal Igor tem apenas cinco anos. Mas ele está muito empolgado. Treina duas vezes na semana e já está disputando o Campeonato Pernambucano da sua categoria. Dia de treino ele já sai da escola louco. Hoje tem treino né papai? Questiona todo animado. Faço das tripas coração para levar Igor até o Arrudinha para treinar.
O horário é exatamente no meio do meu expediente profissional. Mas, apesar da correria, eu não acho ruim. Pelo contrário. Vibro com sua felicidade e o seu empenho no meio dos mais velhos. Ele é o menorzinho... Mas já tem um verdadeiro espírito de equipe. Já sabe as delícias da vitória e as tristezas das derrotas. Mas no esporte é assim. Vencer e perder faz parte e Igor já sabe bem disso. Está começando muito bem.
Foto oficial antes da estréia no Pernambucano
Preleção para estréia contra o Clube Alemão. Santa 4 x 2
por JOSE GUSTAVO SILVA * 21:21
[Sexta-feira, Julho 31, 2009]
Colocando os assuntos em dia
Já são pouco mais de dois meses sem escrever no blog. Mas fiz uma promessa que não vou mais deixar esse espaço sem atualização. Afinal a idéia inicial foi criá-lo para Igor, quando crescer um pouco mais, ter uma idéia do início de sua vida. E o momento atual está sendo como sempre, delicioso.
Muita água passou por debaixo da ponte neste período de ausência minha no blog. O São João da escola, as férias com os primos, o Futsal do Santa Cruz e a nova fase de independência completa no condomínio. Vou tentar relatar um pouco de cada também para não ficar muito cansativo. Sendo assim resolvi dividir em tópicos. Então vamos para o pontapé inicial.
por JOSE GUSTAVO SILVA * 20:15
Vivência Família/Escola
Tanto eu como Rapha estamos bem satisfeitos com a escolha que fizemos em relação à escola de Igor. Temos a certeza que é o local ideal para ele crescer. O próprio Igor também pensa da mesma forma. Ele é enlouquecido pelo colégio.
Bom, lá existe um programa bem interessante chamado “Minha Profissão”. Nele, duas vezes no mês, um pai/mãe, dos alunos da turminha deles, tem a missão de ir dar uma rápida palestra sobre a sua profissão. Já passaram por lá médicos, dentistas, advogados, geólogos e, claro, jornalista. Rapha deixou essa missão para mim.
No dia marcado estive lá e levei dois exemplares do caderno voltado para o público infantil que é produzido no jornal em que trabalho. Foi um sucesso. O orgulho de Igor ao ver seu pai falando para a turma era imenso. Os coleguinhas também ficaram vidrados com algumas explicações e as histórias contadas por mim. Mas é difícil segurar a atenção deles por mais de 15 minutos...
São João
Como o colégio é grande, e um dos mais tradicionais da cidade, imagine a quantidade de crianças e pais para a festa de São João. O evento aconteceu no ginásio, enquanto que em uma das quadras cobertas rolava um arraial com banda de forró, barracas com comidas típicas e brincadeiras para os pequenos. Igor, todo orgulhoso, estava bem a caráter de matuto. Se esbaldou e foi fazer sua dança em homenagem a Feira de Caruaru.
Em um horário britânico, a dança começou exatamente às 16h. Nem um minuto a mais nem um minuto a menos. Algo impressionante. Por pouco o avô Gilson e a avó Jô não deixaram de ver Igor dançar. Depois pipoca e muito traque de massa.

por JOSE GUSTAVO SILVA * 20:10
[Terça-feira, Maio 26, 2009]
A praga da conjuntivite
Vez por outra, Recife se vê cercada por uma epidemia de conjuntivite. É aquela doença chata que dá nos olhos, deixa-os avermelhados, coçando, irritados e remelando. Na grande maioria das vezes ela chega ao final do período do reinado de Momo. Depois do carnaval, a procura por colírios nas farmácias cresce bastante.
Porém, desta vez, a cidade se viu em volta de uma praga de conjuntivite pré-São João. Em um período pouco usual para a doença. Mas ela chegou com uma força enorme e assolando nos quatro cantos da nossa capital. Para se ter uma idéia, ontem (segunda-25), a urgência de um hospital de olhos particular perto daqui da nossa residência registrou 350 atendimentos em um único dia.
Aqui em casa ninguém escapou. Primeiro foi Simone, a babá de Igor. Quando ela chegou e vi o estado dos seus olhos, era uma sexta-feira, mandei voltar para casa. Ficou nove dias sem vir trabalhar. Quando voltou não demorou muito para eu cair. Foi na última sexta-feira e sigo de molho até hoje (terça-feira – 26), pelo menos é o que espero. Ontem foi a vez de Rapha acordar com uma remela enorme no olho direito e, em seguida, o vermelhão tomar conta.
E Igor? Bom, nosso pequeno vem passando ileso pelo menos. Todos os cuidados estão sendo tomados em relação a ele. Colírio, específico, de seis em seis horas. Levamos no medico que constatou uma leve, quase insignificante, conjuntivite. Tanto que os seus olhos nem vermelhos ficaram. E Igor nem reclama mais do colírio que arde um pouco quando se coloca. Deita abre o olhinho esperando o pingo. Depois fecha e espera alguns segundos para reabrir sem doer. Já pegou a manha.
Mas é uma doença muito chata. Eu fiquei isolado dentro do quarto um final de semana inteiro para não ter contato algum com Igor. Agora é Rapha que está proibida de andar pela casa e tocar em maçanetas, controle remoto ou algo em comum da residência. Igor é que não está gostando muito disso. Afinal, o pequeno é muito grudado na gente. Vive dando e recebendo beijos e carinhos. Mas passa logo...
por JOSE GUSTAVO SILVA * 10:47
[Terça-feira, Maio 19, 2009]
Deus te abençoe Igor
Hoje recebemos a avaliação pedagógica trimestral de Igor em sua nova escola. Satisfeitíssimos estamos – eu e Rapha – pela escolha. Mas, sempre fica aquela dúvida de como os outros, no caso as professoras, vêem o nosso filho. E não é que o pequeno acaba se superando. Aí alguém vai dizer: ah, mas é opinião de pais corujas! E é também. Mas no caso de Igor existem alguns diferenciais. Não que ele seja o melhor da turma, o mais inteligente e dedicado. Igor se destaca, também, além de mostrar essas virtudes já citadas, ele se destaca pelos valores.
E isso enche qualquer pai de orgulho. É claro que a educação que damos para ele não é a melhor do mundo. Existem imperfeições. Afinal somos humanos e ele também. Mas, eu e Rapha, nos esforçamos demais para dar alguns valores que servem de referência para toda a vida do nosso pequeno. Valores que, assimilados logo cedo, se incorporam a personalidade de forma normal e que farão dele um adulto mais compreensivo com as adversidades do mundo. Algumas até que ele pode vivenciar até na infância ainda.
O crescimento motor, de linguagem, escrita e intelectual dele é visível. Mas é trato com as pessoas parece ser mesmo o diferencial. A maneira como se relaciona com o grupo, com os amiguinhos (as), o respeito à individualidade de cada um, dito pelas professoras, “contagia o grupo”.
Isso dá certo alívio. Não é fácil educar um filho. Não é fácil passar valores fortes e corretos. Acho que eu e Rapha estamos no caminho certo com Igor. Por mais que, às vezes, tenhamos conflitos internos em casa – normal em qualquer casal -, mas a referência familiar ele sempre terá.
Que você continue assim filho. Com esse jeito lindo e sincero de ser. E cresça repleto de sabedoria para ser um adulto melhor do que seus pais e criar seus filhos ainda melhor do que nós estamos lhe criado. Deus de abençoe, Igor.
por JOSE GUSTAVO SILVA * 21:32
[Domingo, Maio 10, 2009]
Quem ama mais do que a gente
Igor (terceiro da fila) atrás do amiguinho Paulinho Felipe
Essa será a primeira vez que abro espaço aqui no blog para alguém que não seja eu ou Rapha escrever. Mas é por uma boa causa. Poucas vezes li um texto que me emocionou tanto. Acho que vai ser uma leitura interessante para Igor quando ele estiver um pouco maior. Vai perceber que, como ele, existem várias outras crianças tão apaixonadas quanto. Nem mais nem menos. Afinal todas são tricololores. Aline Moura, a autora do texto, trabalha comigo na redação do jornal. É uma figura gente boa demais... vocês vão perceber pela maneira como ela escreve.
segue o texto que Aline publicou no Blog do Santinha e que eu, com autorização dela, repasso aqui. Vale ressaltar que Igor entrou de mascote neste jogo com o Vasco.
Conheci Caio César sábado passado, no Arruda, quando o céu inteiro chorava e quase dez mil tricolores foram ao estádio ver um amistoso. Foi amor à primeira vista. Ele estava na minha frente, num degrau abaixo do meu, vestindo uma capa de chuva imensa, quase o dobro do tamanho dele. Fiquei encantada com aquela cena. Aos 8 anos, Caio poderia estar em casa, sequinho, assistindo ao jogo contra o Vasco na televisão, ou até mesmo viajando na internet, como é costume da nova geração. Mas não. O menino estava bem ali, no frio, presenciando a pior fase do Santinha sem o menor traço de pessimismo. Tinha aquela esperança que só coração de criança carrega.
Juro que senti um pouco de inveja. Na idade de Caio, eu brincava de princesa, de boneca, de escondeesconde… Nem sabia o que era futebol. Foi ai que comecei a olhar as crianças à minha volta, cada uma mais envolvida que a outra, como se aquele jogo valesse uma vida. Eram garotas e garotos. Caio estava entre eles, tenso e concentrado. E eu também. Só pensava nos meninos e meninas que torcem pelo Santa nos dias de hoje. Crianças que resistem à propaganda massacrante da TV e dos jornais a favor da “coisa”, que ignoram as brincadeiras dos amigos na escola numa fase que só é favorável à “imitação”. São como pipas com cerol. Vencem todos os adversários.
Não sou mãe, nem sei se vou ser um dia. Mas o meu lado materno estava aflorado no último sábado. Quem eram essas crianças afinal? Minha mainha Santana, que é santacruzence, psicopedagoga e psicóloga explica que crianças corais são “resilientes”. Esse nome estrambólico, na Psicologia, retrata pessoas que possuem o dom da resistência, o que não é comum à maioria. São crianças com capacidade de combater, de enfrentar os obstáculos, de se manter íntegras à sua identidade independentemente do que o meio tenta lhe impor. São como crianças que nascem na favela, por exemplo, mas vencem na vida, apesar do apelo das drogas e da violência.
Tudo muito bonito, no olhar da Psicologia, mas eu queria confirmar a tese com Caio. Não sabia que iria receber uma resposta tão invocada, como se estivesse fazendo a pergunta mais sem sentido do mundo.
- “E você, Caio, torce pelo Santa desde quando?” - “Desde sempre”, respondeu o menino, meio brabo. “Desde que nasci torço pelo Santinha. Não ligo quando meus amigos tiram onda de mim. Eu tiro onda deles também. O que eu mais gosto do Santa é o estádio e o amor da torcida”, afirmou, incentivando-me a buscar mais respostas.
Resolvi aprofundar a história e perguntar a outros meninos que estavam no amistoso, naquele feriadão, em baixo de chuva. Wesley Henrique, 12 anos, me chamou a atenção. Estava com frio, porém falava mais que o homem da cobra. Estava atrás de mim, com a avó Aldecir Gomes, 55 anos, sua companheira de campo desde que tinha 6 anos. Wesley estava molhado. Disse que não perde um jogo, sabe o nome dos jogadores e sabe explicar o que até hoje não entendo: esquema de jogo. “Eu gosto do Santa porque é um time que está na última divisão e não perde a raça, joga com vontade de ganhar”, opinou, numa confiança que só Deus sabe. Lindo, deu vontade de dar um monte de cheiro.
Para não haver dúvidas sobre essa desconhecida “resiliência”, conversei com outro menino. Afinal, essa é a futura geração do Santinha, aquela que vai nos substituir. E eu queria saber como as crianças corais reagirão nessa longa jornada, com três anos pela frente de batalha no inferno. A resposta de Brennus César, 11 anos, não poderia ter sido mais resiliente. “É difícil explicar, mas eu amo tudo do Santa. Só vi meu time ser campeão uma vez, em 2005. Os meninos do colégio ficam tirando onda, dizendo que o ex-porti está na Liberadores e a gente está na série D. Mas e daí? Futebol é fase. Eu amo muito meu time, não é por isso que vou deixar de torcer. Quem ama mais do que a gente?”, perguntou Brennus. É claro, respondi.
Satisfeita, completa, resiliente. As crianças do Santa são melhores do que contos de fadas.
por JOSE GUSTAVO SILVA * 23:38